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  • Dennis Souza

Crítica | Projeto Gemini

Henry Brogan (Will Smith) é um assassino de elite que se torna o alvo de um agente misterioso que aparentemente pode prever todos os seus movimentos. Ele logo descobre que o homem que está tentando matá-lo é uma versão mais jovem, rápida e clonada de si mesmo.

Com essa premissa simples, Projeto Gemini acerta no desenvolvimento de uma nova forma de se fazer cinema, mas seu mérito se torna também sua maldição.

O filme não tem outra função a não ser nos apresentar a esta nova tecnologia e embora a Paramount tenha escolhido um diretor do calibre de Ang Lee (As aventuras de Pi, O Tigre e o Dragão e O Segredo de Brokeback Mountain) – que sem dúvidas cuida bem do produto e faz seu melhor com os recursos obtidos – isso não é o suficiente e o filme, que se propõe ser grande e inovador, acaba caindo no hall de filmes medianos (e dispensáveis) de ação.

Ok, mas qual a inovação afinal? Precisamos entender como funciona a tal tecnologia para discorrer sobre os acertos e erros do filme.

Acredito que existem duas grandes propostas técnicas aqui:

1 – A equipe de efeitos especiais da Paramount desenvolveu uma nova técnica para criar o rejuvenescimento de Will Smith no filme, que (diferente da forma até então convencional) não trata a imagem captada (como se fosse um Photoshop no vídeo, esticando a pele e afins), mas a recria, 100% com CGI. Ou seja, embora Will tenha interpretado a versão mais jovem de si mesmo, utilizando como recurso o motion-capture (captura de movimentos), Junior foi criado do zero, onde utilizaram como base, apenas a sua interpretação.

Para ficar mais fácil de entender, vale citar as cenas de luta para exemplificar. Nelas, a versão mais velha de Will luta com sua versão jovem, que foi interpretado por um dublê e inserida digitalmente posteriormente.

2 – A segunda forma de inovação (e a mais incrível e relevante) é a captação e finalização em 120 fps (frames ou quadros por segundo). Geralmente o cinema trabalha em 24 quadros por segundo (o que gera aquela espécie de rastro atrás imagem quando se movimenta), mas este filme traz aos cinemas uma versão totalmente renderizada em 120 fps, que (infelizmente e felizmente) só pode ser vista em projeção a laser (sim, uma nova forma de projeção). Os cinemas 3D convencionais ainda não possuem essa tecnologia e, portanto, estão exibindo em 3D+ (60fps). Acredite, este é o futuro! A projeção a laser é simplesmente e incrivelmente bela e empolgante!

Tendo dito isso, agora podemos ir às questões do filme: Projeto GEMINI está longe de ser um filme excepcional. Embora seja um tanto pretensioso, propondo temas como: Perda do reconhecimento por conta da velhice, conflitos internos e a necessidade de enfrentar seus demônios, traumas, medos, paternidade e adoção, dentre outros, o filme patina por ser ambicioso demais e com todas as cartas na manga: bons Atores, boa direção de Ang Lee e uma trama interessante, o roteiro nos entrega um filme raso e previsível.

Apesar do fraco roteiro de  David Benioff, Andrew Niccol e Jonathan Hensleigh, a sensível direção de Ang Lee mais uma vez se mostra super eficaz e junto com a incrível direção de Fotografia de Dion Beebe e Direção de Arte de Guy Hendrix Dyas, trazem a tela um nível de realismo impressionante. A forma como trabalham com múltiplas camadas de profundidade nos faz literalmente mergulhar na tela e entrar com eles no filme. Todas as cenas foram pensadas com muito cuidado e muita paixão, o que resulta numa fotografia deslumbrante, com lindos planos abertos, cenas com agua, poeira, pouca e muita luz. Tudo muito bem resolvido e pensado especificamente para essa captação em 120 quadros por segundo.

Infelizmente a história não é tão boa quanto sua execução e acredito mesmo que a maior função deste filme é nos apresentar a estas novas tecnologias (Will Smith 100% digital / 3D com projeção a laser a 120 fps), que parecem funcionar isoladamente, mas que juntas geram conflito e acabam se anulando. E isso é simples de entender, afinal, com uma SUPER DEFINIÇÃO, é natural que todos os problemas do CGI gritem na tela! Provavelmente, se o filme fosse exibido em 24 fps nós não notaríamos seus problemas.

Enfim… Projeto Gemini é um filme simples, que diverte. Nos apresenta novas possibilidades para um futuro próximo que com certeza, mudarão o cinema e acerta cheio neste quesito, porém, apesar de uma linda entrega de Will Smith e Ang Lee ao projeto, ele é só mais um filme de ação.


#Gemini #ProjetoGemini #WillSmith

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