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  • Dennis Souza

Crítica | Green Book

“Não basta ser gênio… Precisa ter coragem para tocar o coração das pessoas!”…

E essa é uma das maiores lições de Green Book, filme dirigido de forma magistral por Peter Farrelly (diretor de grande filmes de comédia, tais como: “Debi & Loid 1 e 2“, “Eu, Eu mesmo e Irene“, “Quem vai ficar com Mary“, “O amor é cego” e o remake de “Os Três Patetas” de 2012)!

Classificado como uma comédia dramática, o filme é muito, muito mais que isso. Por se tratar de um filme baseado em fatos reais, que se passa no começo dos anos 60 (época onde o racismo tomava conta dos EUA), o filme lida com questões importantes que vão além do racismo e aborda diferentes níveis de comportamento, relações humanas, desigualdade, solidão, orgulho e flexibilidade, de uma forma completamente ímpar.

Mas vamos começar pelo “começo”… Green Book mostra a relação de dois homens: Tony Vallelonga (interpretado brilhantemente por Viggo Mortensen, o Aragorn da trilogia “O Senhor dos anéis“) um italiano branco, também conhecido como Tony Lip (ou Tony Bocudo em português) por sua capacidade espantosa de falar groselha e Don Shirley (mais um trabalho fantástico de Mahershala Ali, astro de Moonlight), um pianista negro com doutorado, rico e solitário, que questiona a forma como é tratado por sua cor. Por conta disso tem dificuldade de relacionamentos, pois não consegue se enquadrar em nenhum círculo social. Como ele mesmo diz: É culto demais para ser reconhecido em meio aos negros e negro demais para se sentar junto aos brancos.

Tony tem dificuldades financeiras pois acabara de perder seu negócio e por ser altamente recomendado a Shirley como “o homem que resolve problemas“, acaba sendo contratado pelo mesmo para ser seu motorista particular, seguindo com Don Shirley e seu trio em turnê pelo extremo sul dos EUA, por cerca de 8 semanas.

A inversão de valores é trazida de forma a gerar provocação em diversos momentos do filme, pois diferente de filmes como “Os intocáveis”, onde o homem negro é contratado para cuidar do homem branco, aqui nós vemos um homem branco – que por aprendizado vem repetindo padrões racistas e preconceituosos, e que simplesmente não questiona, apenas segue repetindo o padrão: “A vida é como ela é… Uns tem mais, outros menos e ponto” – que precisa deixar seu orgulho e preconceito de lado e, se adaptar a nova situação por necessidade.

O nome Green Book se dá pois Tony carrega consigo um livreto verde com este mesmo nome, que na verdade se trata de um guia para negros, com lugares onde eram bem-vindos e podiam transitar sem medo naquela época.

Essa relação forçada permite a ambos experimentar um olhar “fora da caixa”! Tony reconhece o brilhantismo de Shirley e se permite deixar de julga-lo por sua cor, percebe os novos horizontes trazidos em sua viagem com a imersiva paisagem e a vasta extensão dos campos do interior e isso lhe traz na verdade, um encontro consigo mesmo.

Enquanto isso, Shirley, apesar de todo o seu conhecimento, percebe que as coisas podem ser mais simples, que nada é imutável e que apesar de toda a rigidez que criou em sua bolha e sua descrença no outro, consegue ir mudando aos poucos e isso lhe dá coragem para dizer não, quando necessário, pois sabe que a mudança acontece de dentro pra fora e não o contrário.

Acredito que todo aquele que se permitir embarcar nessa história se sentirá reconhecido, seja pelo sentimento de exclusão e invisibilidade social (que muitos sentem em certas situações, não só no que diz respeito a questão racial, mas também nas relações cotidianas, como na escola, trabalho, família, etc…) e/ou por saber que em dado momento de sua vida, foi aquele que julgou, se pegou fazendo uma piada racista ou tratando alguém mal sem nenhum motivo por conta destes “padrões enraizados” que seguimos sem notar… E para esses, o peso é muito maior! Pois se tem uma coisa que o filme faz bem é TE COLOCAR NO LUGAR DO OUTRO.

Acredito que Green Book tem grandes chances de levar alguma estatueta no próximo dia 24 (O filme tem 5 indicações ao Oscar).


#ViggoMortensen #Livro #GreenBook #MahershalaAli #Oscar2019

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