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Crítica | Dor e Glória: Um Almodóvar Aprofundado

Por: Marco Faustino

O novo filme de Pedro Almodóvar, Dor e Glória, nos apresenta o personagem central, Salvador Mallo, um outrora famoso cineasta espanhol, em um momento complicado de sua vida. As portas da idade mais avançada se escancaram à sua frente e as questões não ajustadas de sua vida se apresentam de forma muito intensa: os problemas de saúde, as inúmeras dores, o vazio criativo em que se encontra, a carência afetiva e a solidão. Particularmente quanto às questões de saúde reveladas, estas seguem permeadas pelo seu lado hipocondríaco, acentuando todas as suas dores, dando a impressão de que sua existência a partir daquele momento deve passar inapelavelmente por todas os padecimentos e disfunções que se pode chegar a sentir e sofrer. Identificado como um “alter ego” do próprio diretor, é instigante imaginar quais dos problemas encenados poderiam ser de fato os que são ou foram experimentados por Almodóvar durante sua vida. Ou serão todos?


O filme parece não se fixar em uma linha reta temporal de acontecimentos. A passagem do tempo tende para uma certa circularidade através de um interessante mecanismo cênico que não é simplesmente uma inserção de memórias do autor. Mais ao final este mecanismo é revelado e nos permite entender algumas discrepâncias que surgem na obra. Afinal é tudo cinema!


Este trabalho de Pedro Almodóvar mostra seu lado profissional mais maduro. Sem os exageros situacionais de seus filmes dos anos 80, ainda assim ele nos revela cenas tocantes e momentos da carga de erotismo que nos habituamos a ver em sua linguagem. É um trabalho maduro para uma fase mais madura de sua vida, mas ainda assim as cores de seus filmes, parte importante de sua assinatura e que o tornaram um dos grandes diretores contemporâneos lá estão: a intensidade do vermelho, do laranja, do amarelo, e até do verde se apresentam para realçar e reforçar momentos e estabelecer sensações. Estão lá para não esquecermos de que, apesar da seriedade do tema apresentado, sua alma continua intacta como ser humano e como cineasta que contribuiu de forma muito importante para colocar a Espanha, sua pátria, entre o rol dos principais países do mundo do cinema.


Marco Faustino é ator, roteirista e dramaturgo.

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