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  • Dennis Souza

Crítica | Coringa – O Vilão do Oscar

Este filme é sem duvida a Obra definitiva do Coringa! Embora toda a carga dramática/ emocional chame nossa atenção neste filme (classificado para maiores de 16 no Brasil), o que prevalece para mim são suas questões artísticas. CORINGA faz uma nova leitura do personagem e acredito que a mais plausível até agora. O roteiro desenvolvido por Todd Phillips e Scott Silver mergulha muito fundo em sua história de origem, sem deixar de lado sua essência, ao contrário, se apropriando da melhor forma, de suas características mais marcantes. A incrível química entre roteiro, a direção sensível de Todd Phillips (outrora conhecido por filmes de humor) e a visceral interpretação de Joaquin Phoenix entregam um filme belo, denso e violento. Mais que isso… Um filme de um CORINGA humano em uma Gotham decadente, que não tenta nem por um instante justificar seus atos insanos, mas nos permite compreendê-los.

O filme conta com grandes astros em sue elenco: Brett Cullen (que já havia participado de Batman – O cavaleiro das trevas Ressurge) vive Thomaz Wayne. Robert De Niro (despensa apresentações) e Zazie Beetz (Dominó em Deadpool) também somam forças nesta produção, mas a estrela aqui é Joaquin Phoenix, que na pele de Arthur Fleck – um comediante fracassado que sofre de um distúrbio conhecido como RISO patológico (uma desordem neurológica que faz os indivíduos rirem incontrolavelmente) – se coloca tão disponível e tem uma entrega tão absolutamente intensa, que nos faz contorcer na cadeira do cinema. Sempre que é colocado em uma situação tensa ou constrangedora, sua risada descontrolada vem à tona e, ela parece vir de seu amago. O contraste entre seu riso e sua fisionomia cansada e desconfortável é o que dá ainda mais peso para sua performance avassaladora. Sua consciência corporal também é incrível e com certeza esta versão do coringa será muito estudada por Atores em formação.

A fotografia de Lawrence Sher ambienta bem a Gotham dos anos 60. Com referencias claras a Nova York suja desta mesma época e a filmes como Taxi Driver, ela tem uma textura e um ruído na imagem que nos traz a sensação de filme antigo, e com longos planos em movimento e sua cor menos saturada nos traz exatamente o sentimento de agonia construído pela personagem principal ao longo do filme.

Já a trilha de Hildur Guðnadóttir, toda orquestrada, composta em grande parte por instrumentos de cordas, busca o glamour da época, que ao menos tempo é triste, agonizante e funciona muito bem em consonância com todos os outros elementos estabelecidos.

É um grande desafio falar deste filme sem dar spoilers, pois ele de verdade, me foi uma surpresa muito boa. Fiquei surpreso inclusive com a forma como estabeleceram a mitologia do Batman, e pra mim, como ator, este filme já é um grande trabalho de inspiração.

CORINGA não é apenas um filme sobre o vilão mais icônico do cinema. Aqui, Coringa não é mal por que é mal… Este é um filme sobre Arthur Fleck, um ser humano extremamente frágil, que demanda atenção e cuidado, mas que não os encontra na sociedade onde está inserido. Vitima de um sistema que exclui as minorias, vive sua vidinha medíocre sob a linha que tange a psicose. Uma série de eventos desencadeiam em Fleck os instintos mais sombrios, mas não por maldade ou psicopatia propriamente dita e sim, por falta de compreensão e busca de reconhecimento, e embora ele projete no outro a busca por aceitação e o reconhecimento de seu trabalho como comediante, sua real necessidade é de auto-aceitação. A partir do momento em que ele aceita seu riso como parte de sua identidade e entende que ele é mais importante do que a ideia de gerar risos nos outros, isso se torna orgânico e ele se permite dançar, que como um rito de passagem, lhe gera transformação e libertação, momento brilhantemente colocado em tela.

“Sempre achei que minha vida fosse uma tragédia, mas agora entendi que na verdade é uma grande Comédia!”.

Espero que todo o reconhecimento venha para este CORINGA. Que ele leve mais um Oscar (Heath Ledger levou uma estatueta póstuma por seu trabalho em O Cavaleiro das Trevas) e deixe de ser lembrado somente como o Vilão do Batman, mas também por ser um personagem humano, com problemas reais e pela brilhante interpretação e entrega de Joaquin Phoenix!


#Coringa #JoaquinPhoenix #Joker #RobertDeNiro

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